Ontem apareci no departamento de criação na instituição onde trabalho com um novo livro do Saramago por debaixo das minhas palmas e este trouxe um tópico interessante para a mesa porque um daqueles é mais engajado do que os outros no bom que a elite artística pode oferecer; esta é uma constatação superficial minha, apenas minha, e não é desmerecimento algum a qualquer uma das partes.
Quase-desde-o-sempre a arte não é feita para e nem consumida por todo mundo; é o capitalismo do conhecimento; e muitos-de-muitos-de-muitos deste todo mundo não a entendem. Até mesmo nos dias de hoje neste neo-social com o broadcasting da ampla informação o conhecimento passa despercebido pela medíocre e contestável e ridícula massa da sociedade e apesar dos pesares nós todos reunidos; eu não quero ocultar ninguém desta porra; a criamos.
Criamos o que, a massa ou a arte? Ambos.
A argumentação que tive com aquele colega foi sobre o mau discernimento da arte, sobre os caminhos que alguns traçam acreditando e fazendo-se acreditar que tais derivam-se dela e o que é derivado, arte é.
Aquele colega simplesmente não absorve a banalização deste magnífico, desta pureza em informar, se expressar, e de forma alguma engole gente burra bancando-se de intelectual evangelizando a estupidez.
Chegou a citar tal denominado artista que de suas fezes pinta quadros e disse; estas não foram suas palavras; - Filhos da puta como estes deveriam arder no fogo do inferno por mal dizerem um belo dos mais belos atos humanísticos.
Pintar quadros com fezes, além de esquisito, é um ato nojento, mas mostrar que na feiúra pode-se haver o belo é um ponto-de-vista pra lá de interessante e além de tudo, é reciclagem. Feia, mas é.
Na arte não é diferente, pois umas são como a Adriana Lima enquanto outras são como aquela tal de lacraia no funk-carioca-deus-me-livre! Tudo depende do ponto-de-vista ou geralmente da falta de álcool, muito álcool, ou não.
O papo tornava-se interessante, mas subitamente fomos bloqueados pelo seu superior direto porque este, nada estava interessado naqueles minutos perdidos de argumentação que não pertencem ao nosso trabalho cotidiano. “Voltem para a labuta!” não foram suas palavras, mas sua entonação.
O mundo abandona a arte, os artistas repudiam o mundo e arte pretende informar todos.
É este o problema, ninguém se entende! Então a culpa é de quem?
Acredito que a arte serve para alguns se auto-entreterem nas camadas requintadas e inacessíveis à plebe. Sempre foi assim. O mais legal é que nestes dias, é possível um qualquer ser um requintado, basta apenas querer ou simplesmente fingir. Eu mesmo sou um crápula fingidor.






