sábado, 7 de novembro de 2009

Arte, para que serve mesmo?

Ontem apareci no departamento de criação na instituição onde trabalho com um novo livro do Saramago por debaixo das minhas palmas e este trouxe um tópico interessante para a mesa porque um daqueles é mais engajado do que os outros no bom que a elite artística pode oferecer; esta é uma constatação superficial minha, apenas minha, e não é desmerecimento algum a qualquer uma das partes.

Quase-desde-o-sempre a arte não é feita para e nem consumida por todo mundo; é o capitalismo do conhecimento; e muitos-de-muitos-de-muitos deste todo mundo não a entendem. Até mesmo nos dias de hoje neste neo-social com o broadcasting da ampla informação o conhecimento passa despercebido pela medíocre e contestável e ridícula massa da sociedade e apesar dos pesares nós todos reunidos; eu não quero ocultar ninguém desta porra; a criamos.

Criamos o que, a massa ou a arte? Ambos.

A argumentação que tive com aquele colega foi sobre o mau discernimento da arte, sobre os caminhos que alguns traçam acreditando e fazendo-se acreditar que tais derivam-se dela e o que é derivado, arte é.

Aquele colega simplesmente não absorve a banalização deste magnífico, desta pureza em informar, se expressar, e de forma alguma engole gente burra bancando-se de intelectual evangelizando a estupidez.

Chegou a citar tal denominado artista que de suas fezes pinta quadros e disse; estas não foram suas palavras; - Filhos da puta como estes deveriam arder no fogo do inferno por mal dizerem um belo dos mais belos atos humanísticos.

Pintar quadros com fezes, além de esquisito, é um ato nojento, mas mostrar que na feiúra pode-se haver o belo é um ponto-de-vista pra lá de interessante e além de tudo, é reciclagem. Feia, mas é.

Na arte não é diferente, pois umas são como a Adriana Lima enquanto outras são como aquela tal de lacraia no funk-carioca-deus-me-livre! Tudo depende do ponto-de-vista ou geralmente da falta de álcool, muito álcool, ou não.

O papo tornava-se interessante, mas subitamente fomos bloqueados pelo seu superior direto porque este, nada estava interessado naqueles minutos perdidos de argumentação que não pertencem ao nosso trabalho cotidiano. “Voltem para a labuta!” não foram suas palavras, mas sua entonação.

O mundo abandona a arte, os artistas repudiam o mundo e arte pretende informar todos.

É este o problema, ninguém se entende! Então a culpa é de quem?

Acredito que a arte serve para alguns se auto-entreterem nas camadas requintadas e inacessíveis à plebe. Sempre foi assim. O mais legal é que nestes dias, é possível um qualquer ser um requintado, basta apenas querer ou simplesmente fingir. Eu mesmo sou um crápula fingidor.


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Qual é a minha Internet?

Hoje a mais democrática rede internacional de computadores já está bastante disseminada para um grande número e como todos sabem, apesar de ser uma ela faz parte de vários mundos distintos com propósitos completamente diferentes e isso tem me feito refletir.

Tenho me questionado como é a minha Internet nestes dias, pois tenho relembrado os primeiros momentos de contato com este novo mundo cheio possibilidades e oportunidades.

Lembro que naquela época podia fazer tudo e como qualquer adolescente, senti um alívio enorme por não precisar mais checar o que havia por de baixo do colchão do meu irmão ou ligar a televisão numa tarde de domingo com todo mundo presente na sala para me esbaldar com tetas e bundas. Isso realmente foi uma revolução para muita gente.

Pornografia? Não. Há muito não tenho contato com ela via Internet, apesar de aparecer algumas fotos aqui e outros vídeos acolá. Estou distante também do MSN, das promiscuidades dos bate-papos no UOL e das altas horas de conversa jogada fora com longínquos amigos no mIRC. Caramba! Este sim foi uma revolução para mim, simplesmente um divisor de águas no meu mundinho digital.

Mundinho que consiste apenas em e-mail, Skype com a minha família e amigos de longe, Twitter e o principal: Feeds. Sou louco por feeds, simplesmente maníaco por feeds, muitos feeds. Não posso ver algo bom que já vou assinando.

Sou tão fascinado por eles que tenho até uma área especial no meu Safari só para as assinaturas que diariamente trazem mais ou menos umas três mil atualizações. Tempo disponível para ler tudo isso eu não tenho, mas como em todo vício o muito nunca é o suficiente.

O tempo de louco por buscar algo novo solto na rede também já passou para mim. Hoje as minhas novidades são geralmente Yesterday’s news e apesar da velharia, não fico nem um pouco preocupado e acho que este é o meu lado mais indie.

Visito apenas sites bem conhecidos e estes estão numa lista que apesar de não ter escrito no papel ou ditado sua seqüência, estão numa fila de importância que pensando sobre ela agora, são realmente muito importantes e se eu não visitá-los durante o dia, parece que este passou deixando para trás aquele gostinho que faltou alguma coisa.

Tenho percebido também que a minha paciência sobre qualquer tópico vazio, sem nexo e sem importância se esgota muito mais rapidamente, mas isso não é apenas com o que não falta na Internet, mas com tudo que está presente na mídia antiquada ou vindos de pessoas à minha volta.

Também tenho me tornado num chato, mas não é culpa da Internet.

Não sei é simplesmente maturidade de um ser quase-velho que muitas vezes ainda se vê como um adolescente, mas a minha Internet hoje serve apenas para muitas poucas coisas. Seu forte está para pesquisas sobre assuntos que estão para o meu interesse, notícias, os meus feeds (muitos feeds) ou contato com familiares e amigos via e-mail ou Skype. Quase mais nada. Nada mesmo.

Internet metódica esta, mas é minha e de mais ninguém.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A briga entre o leitor e o escritor chato.

Algo muito inconveniente é escolher um livro na estante com um belo tópico para ler, um livro que comenta tudo o que você está interessado em saber, mas que por ironia do destino, o escritor consegue ser mais chato do que aquelas conversas de que temos em frente ao espelho quando chegamos de um encontro nada alcoólico com os amigos num lugar para lá de estranho.

A coisa mais chata de tudo isso é a constante briga em não conseguir abandonar a leitura porque existe a esperança que a próxima página ou o próximo capítulo será alguma coisa melhor.

A pérola da vez é "Os Mistérios Egípcios" de Arthur Versluis. Juro que não estou agüentando esta pose de evangelizador que este cara possui naquelas linhas.

É bem, pode ser o momento, devo não estar com paciência para este papo metafísico pra lá e pra cá.

Diria uma colega de trabalho: "- Metafísico é o #% da tartaruga!"

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Wanton boys.

As flies to the wanton boys are we to the gods,
they kill us for their sport.

William Shakespeare - Rei Lear (Ato 4, cena 1)

sábado, 31 de outubro de 2009

Sonhar é nada e não saber é vão.

Nada sou, nada posso, nada sigo.
Trago, por ilusão, meu ser comigo.
Não compreendo compreender, nem sei
Se hei de ser, sendo nada, o que serei.

Fora disto, que é nada, sob o azul
Do lato céu um vento vão do sul
Acorda-me e estremece no verdor.
Ter razão, ter vitória, ter amor

Murcharam na haste morta da ilusão.
Sonhar é nada e não saber é vão.
Dorme na sombra, incerto coração.

Fernando Pessoa - Sem título (102 - 6/Janeiro/1923)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ódio nos Estados Unidos a partir desta semana é um ato inconstitucional.

Gostaria muito de poder comparar as propostas de governo que os nossos senadores levam ao senado com as propostas de governo presentes nos principais países acima da linha do equador e alguns daqueles bacanas abaixo dela.

Gostaria realmente que todos os líderes (senadores, deputados, prefeitos, vereadores, líderes de bairro, professores, os pais, as mães...) e todas as mídias entendessem e conseqüentemente informassem ao Zé brasileiro que o fato de oferecer apenas pão, algumas frutas, muita bebida e gladiadores, foi mais uma das formas sangrentas que Roma usou para controlar o seu império e que uma sociedade fundamentada apenas nestes parâmetros está destinada a cair como Roma caiu.

Mas não tenho o porquê me preocupar pois vivo num país onde a economia não distingue verticalmente entre ricos e pobres, onde a indústria produz para todos, onde leis regem todos os cenários da sociedade, onde há mão-de-obra capacitada para a labuta especializada, onde há uma educação-de-base muito eficaz, onde a diversidade é vista e respeitada e principalmente, onde existe um sistema de saúde que é acessível a todos. Preocupar-me por quê?

Não, eu realmente não quero, não hoje, publicar sobre o meu descontentamento político proveniente do número de Welfares tupiniquins que a cada segundo se multiplicam, publicar sobre o dinheirão gasto por "Nossa Roma" para presentear-nos com tal festança que teremos daqui a quatro dias ou simplesmente pelo desafeto político que tenho pelo querido e mal-educado presidente que rege este país e muitos de seus senadores.

Nesta publicação quero apenas informar que a partir desta semana nos Estados Unidos agir sobre ódio é um ato inconstitucional.

Depois de muito tempo e de argumentos e propostas enviadas por senadores como Edward Kennedy, finalmente o governo norte-americano reconheceu a lei que define o respeito pela diferença seja ela étnica, religiosa, sexual, política etc.

Ver um país que apesar da dificuldade da interação entre os dois pólos políticos evoluir desta forma e assinar de vez por todas a regra que define a existência básica de uma sociedade democrática, é muito bonito.

Meus parabéns aos líderes e as pessoas que trabalharam arduamente para que este dia chegasse, pois para todos nós destes outros países onde sanções como esta estão anos-luz distantes, este feito é muito mais do que um exemplo a ser apenas considerado.

A Todos, todos os meus parabéns!